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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

LEITURA: EDUCAR COM ATITUDE

Precisamos pensar no tipo de educação que temos proporcionado aos mais novos e naquela que idealizamos, que queremos e que, inclusive, cobramos deles. Hoje, vamos refletir sobre como acontecimentos do cotidiano têm interferido na formação de nossos filhos, alunos, netos etc. Como gosto de fazer, vou partir de alguns exemplos da vida real.

Outro dia eu assisti a uma cena envolvendo dois motoristas, um deles com uma criança –provavelmente filho– de cerca de nove anos.
Uma motorista, velha senhora, estava com dificuldades para atravessar um cruzamento sem semáforo. Atrás dela, um homem buzinava insistentemente. Alguns segundos foram suficientes para ele perder a paciência e fazer uma manobra brusca para sair de trás do carro da senhora. Não contente, abriu sua janela e vociferou: "Deveria ser proibido velha dirigir!". O garoto, que estava no banco traseiro, também abriu a janela e gritou várias vezes: "Sua vaca!". Não pense, caro leitor, que a motorista não reagiu: ela levantou o dedo médio aos dois.

As outras situações me foram contadas por mães: a primeira tem um filho de seis anos e a outra, uma filha no último ano do ensino médio. As duas ficaram preocupadas com o próprio comportamento depois de ouvirem seus filhos.
O garotinho, que não queria aceitar as ordens da mãe, dirigiu a ela um "Filha da p..." em alto e bom som. A mãe ficou alguns segundos perplexa e perguntou a ele com quem ele tinha aprendido aquele palavrão. A resposta foi imediata: "Com você e com meu pai".

No terceiro caso, a filha contou, ao chegar da escola, que havia presenciado uma briga violenta entre colegas em razão da escolha de candidatos nas últimas eleições. A mãe disse que falou a ela sobre respeito, tolerância, diversidade etc., e ouviu da filha: "É, mas nos seus posts do Facebook você diz coisas parecidas com as que meu colega disse e que provocaram a briga".
Já sabemos que, em pleno século 21, não são apenas família e escola que educam: todas as mídias, peças publicitárias, estilos de vida urbana, comportamento no trânsito etc. influenciam fortemente a formação de crianças e jovens que, como sempre, percebem e identificam todas as questões envolvidas em um fato aparentemente simples.

Queremos que nossos filhos cresçam e alcancem a maturidade. No entanto, nem sempre temos sido capazes de controlar nossos comportamentos infantis e de demonstrar o que a vida adulta exige.
Temos, por exemplo, demonstrado dificuldades em administrar nossos impulsos agressivos e narcisistas: temos expressado ideias –por escrito ou oralmente– de modo intempestivo e violento, temos apontado que a história é única e é aquela que sabemos e contamos; que o importante é ganhar sempre e que perder admite qualquer tipo de comportamento; e que falar é sempre mais valioso do que escutar, refletir e reconsiderar, entre outras coisas.

Não somos, nem devemos querer ser, modelos para os mais novos, porque precisamos –e como!– que eles sejam melhores do que nós. Mas podemos e devemos mostrar maturidade: contenção, reconhecimento e respeito às diferenças, controle na expressão de nossos preconceitos e impulsos de todos os tipos.

Agora é a hora de nos perguntarmos: como queremos que nossos filhos sejam educados? Nossas atitudes é que dirão.


ROSELY SAYÃO é psicóloga e autora de "Como Educar Meu Filho?" (Publifolha)

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