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segunda-feira, 4 de junho de 2012

A PANACEIA


Qual é a solução para a pobreza? A educação. Para a corrupção? Educação. Para o subdesenvolvimento? Educação. Para reduzir a criminalidade e a insegurança dos cidadãos? Educação. Para o que a educação não é solução? Nada. Qual é a prioridade dada à educação? Segundo os discursos, a máxima. Na realidade, nem tanto.
Em quase todos os países, as pessoas declaram que o sistema de ensino é inaceitavelmente falho. E as estatísticas lhes dão razão.
Entre 2000 e 2006 -os anos do boom econômico-, o desempenho dos estudantes do ensino secundário em termos de leitura piorou significativamente na Espanha, no Japão, na Noruega, na Itália, na França e na Rússia, entre outros países.
O desempenho em matemática caiu na França, no Japão, na Bélgica e em outros países desenvolvidos. Os que se saíram melhor nessas provas foram Finlândia e Coreia do Sul. E agora a austeridade fiscal na Europa terá efeitos devastadores sobre a educação.
Além disso, e em contraste com os Estados Unidos, onde o ensino superior de excelência continua a ser forte, na Europa apenas algumas poucas universidades estão entre as cem melhores do mundo. Nenhuma universidade espanhola ou italiana entrou para essa lista.
E a América Latina? É melhor nem falar. A educação superior consome orçamentos enormes e seus resultados, comparados com os de outras regiões, são lamentáveis.
Se a educação está em crise nos países ricos, nos menos desenvolvidos é um desastre. Ela consome uma fatia enorme dos orçamentos nacionais, sem ter muito o que mostrar em matéria de qualidade. Mesmo os países que vêm tendo grandes sucessos em outras áreas fracassam no campo educativo.
O Chile, um dos países em desenvolvimento mais bem-sucedidos do mundo, tem lacunas importantes na educação, tanto assim que os protestos estudantis se tornaram um problema político já crônico.
Novamente, o paradoxo de tudo isso é que "a educação" é a solução que sempre aparece quando se discutem os problemas do mundo. Em todas as partes, inúmeros candidatos a cargos políticos de todo tipo prometem ser o presidente (ou o governador ou o prefeito) "da educação". Mas, apesar do consenso em torno do problema, a crise educativa mundial continua inalterada.
Ninguém tem clareza em relação ao que fazer. Mais computadores nas salas de aula? Melhores salários para os professores? Menos alunos por classe? Descentralização do ensino? Centralização? Aumentar os incentivos, para que haja mais competição entre escolas e professores? Mais recursos para o sistema educativo? Já se tentou de tudo, e não há resultados conclusivos.
Cingapura, por exemplo, é o país cujos estudantes estão entre os melhores do mundo. E um dos que menos gastam com ensino primário.
O que dizer de tudo isso? Que a crise da educação (da qual temos falado pouco ultimamente) é tão grave quanto a crise econômica (da qual não deixamos de falar). É óbvio que as soluções que o mundo tem para a crise da educação são tão pouco confiáveis quanto as que usa para enfrentar a crise econômica.



Matéria publicada na Folha de São Paulo, 1° de junho de 2012.
MOISÉS NAÍM

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