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sexta-feira, 25 de maio de 2012

ELES NÃO SABEM LER. E AGORA ?


Alguns especialistas chamam de “Era do Conhecimento” ou “Sociedade da informação” o mundo atual em que vivemos. Nesta sociedade contemporânea a habilidade mais básica que todo cidadão deve possuir é a proficiência em leitura. Lamentavelmente, esta habilidade básica não foi comunicada ao cidadão brasileiro médio, visto que apenas 1% dos estudantes brasileiros possuem habilidades avançadas em leitura. Em países realmente desenvolvidos, este percentual é de 15%. Outra triste constatação é o fato de 55% dos jovens brasileiros estão no nível mais baixo de proficiência em leitura. Entre os países participantes de uma avaliação internacional, o Brasil foi o país com maior percentual de jovens no nível mais baixo de habilidades em leitura. Vale ressaltar que estes dados referem-se a uma avaliação que contou apenas com jovens estudantes, na faixa de 15 anos, sem grande defasagem de ensino. Se incluirmos na análise os mais de 80 milhões de adultos que não possuem o Ensino Médio, constatamos que o Brasil possui uma nação de semiletrados, o que coloca o nosso país em grande desvantagem competitiva internacional. Muitas empresas tentam contribuir com a sociedade, mas estão tratando o problema com o remédio errado. Existem inúmeros núcleos de capacitação profissional financiados pela iniciativa privada e pelo Governo, contudo, estão tentado profissionalizar jovens que ainda não sabem ler de forma articulada. O problema da desigualdade é mais básico e não será resolvido com cursos profissionalizantes para analfabetos funcionais.
A profissionalização necessária para a maioria dos cargos disponíveis é a capacidade plena de expressão oral e escrita e de realização de cálculos básicos. Estas competências podem ser obtidas concluindo com êxito o Ensino Médio. O cumprimento desta básica etapa garante empregabilidade e livra o jovem do subemprego e demais constrangimentos sociais. No Instituto Direcionar, bons resultados estão sendo percebidos como resultado de aulas de português e oficinas de leitura. Nestas oficinas os jovens tem a oportunidade de exercitar a oralidade e melhorar sua fluência. Doutores em matemática afirmam que o português é a base para um bom desempenho nas disciplinas exatas, pois capacita no entendimento do enunciado dos problemas.
O domínio pleno da língua portuguesa obedecendo aos critérios da norma culta é o que alguns especialistas em educação chamam de “linguagem da oportunidade”. Esta definição é bastante objetiva, prática e, além disso, encerra a improdutiva discussão sociológica sobre a liberdade do jovem expressar-se com gírias ou utilizando um dialeto de suas comunidades. Independente de sua origem ou forma de falar entre amigos, o estudante deve ser preparado na escola para falar a linguagem do trabalho, dos estudos e dos negócios. É a linguagem que o jovem precisará utilizar para ser aprovado em uma entrevista de emprego e para ser bem-sucedido em uma redação no vestibular. Nossa sociedade possui um longo caminho a percorrer para realizar uma grande reforma educacional em nosso país, mas podemos avançar bem rápido se nos atentarmos para a real necessidade que temos. Nossos jovens não precisam de cursos profissionalizantes, eles precisam ser alfabetizados.
Matéria publicada no Jornal da Tarde, 22 de maio de 2012.
Eduardo Filho - Especialista em educação e presidente do Instituto Direciona

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